“Paragens mais remotas”: representações sobre o sertão paraibano no século XIX

“Paragens mais remotas”: representações sobre o sertão paraibano no século XIX


Autores:

Paulo Henrique Marques de Queiroz Guedes (docente)

Larissa de Carvalho Donato (estudante)

José Vicente Dementshuk Guerra (estudante)

Instituição: IFPB – Campus Cabedelo

Palavras-chave: representações do espaço; sertão; Brasil; século XIX

As representações sobre o sertão norte oriental do Brasil, no século XVIII e início do século XIX – somadas as representações anteriores, baseadas na ideia do espaço do conflito e da alteridade – se consubstanciaram em variadas representações relacionadas a ideia de sertão como espaço da “ausência e isolamento”. Estas imagens, por sua vez, estiveram muito associadas a ideia do sertão como “terra sem lei”, no sentido de espaços com pouca presença da justiça oficial, dos poderes institucionais formais. Assim, neste trabalho, buscou-se, sobretudo, “entender como os homens da época concebiam o sertão”, suas representações. Neste sentido, duas perguntas nos nortearam: Que mudanças estruturais e/ou conjunturais contribuíram para que estas representações fossem requalificadas, redefinidas, no contexto da Província da Paraíba do Norte (no século XIX)? Que padrões de estigmas podemos identificar, acerca deste espaço, bem como dos sertanejos? Importante igualmente registrar que, as representações sobre o espaço-sertão paraibano do século XIX devem ser entendidas como resultado de uma construção cultural e histórica, ou seja, estão inscritas em um dado contexto. Por exemplo, comparando-se as representações sobre o sertão norte oriental construídas nos séculos XVIII com aquelas do século XIX, percebe-se, neste último caso, uma maior unidade econômica ou ecológica, ou seja, o sertão passou a estar mais fortemente identificado e associado ao ecossistema semiárido. Em outras palavras, até as primeiras décadas do século XIX, o termo sertão foi utilizado para denominar múltiplos ecossistemas (caatinga, brejo, agreste e até litoral). Isto porque, no período colonial, conforme mencionado acima, a ideia de sertão funcionou como representação que opôs as áreas já povoadas pela colonização (normalmente as litorâneas), daquelas em que isso não havia ocorrido. Tratava-se, assim, da ideia de sertão não apenas como interior, mas como “lócus da incivilidade, da insegurança, do isolamento, da violência e do arbítrio dos poderosos detentores do poder político e econômico”.